Hora é o único insumo que uma agência realmente vende, e é o que ela menos costuma medir. Sem esse dado, precificar é chute e avaliar cliente é impressão.
Os Relatórios de tempo mostram para onde as horas foram. Abra em Relatórios › Relatórios de tempo e escolha o período.
Os três números do topo
Total de horas — o volume registrado no período.
Registros — quantos apontamentos foram feitos.
Membros ativos — quantas pessoas registraram tempo.
Vale cruzar os dois primeiros. Poucas horas em muitos registros indica apontamento fragmentado, típico de quem é interrompido o tempo todo. Muitas horas em pouquíssimos registros costuma indicar apontamento feito de memória no fim da semana — que é menos confiável.
Membros ativos é o indicador de adesão: se a equipe tem doze pessoas e só quatro registram, o relatório descreve essas quatro, não a agência. Vale resolver isso antes de tirar qualquer conclusão dos demais gráficos.
Horas por funcionário
Quanto cada pessoa registrou no período.
É o gráfico mais fácil de usar mal, então vale a ressalva: ele mede tempo apontado, não valor entregue nem esforço real. Quem esquece de apontar aparece pouco; quem aponta com disciplina aparece muito. Usar isso como avaliação individual incentiva o comportamento errado — as pessoas passam a apontar para parecer bem, e o dado perde utilidade justamente para o que serve.
O uso correto é de capacidade: identificar quem está no limite e quem tem folga para absorver a próxima demanda.
Horas por projeto
Este é o gráfico que sustenta decisão comercial. Ele mostra quanto de esforço cada conta consumiu.
Cruzado com o relatório de lucratividade do financeiro, responde a pergunta que define a saúde da agência: o cliente que paga R$ 3.000 e consome 60 horas rende R$ 50 por hora; o que paga R$ 2.000 e consome 12 rende R$ 167. O contrato maior não é o melhor negócio — e sem essas horas registradas não há como perceber isso.
Também é o dado da renegociação. "O escopo cresceu" é opinião; "o consumo de horas subiu 40% em quatro meses" é fato, e muda a conversa.
Tendência diária
A curva do tempo registrado ao longo dos dias.
Serve para dois diagnósticos. O primeiro é de disciplina de apontamento: registro concentrado às sextas-feiras significa memória, não medição — e memória subestima sistematicamente o tempo gasto em tarefas curtas e interrupções.
O segundo é de ritmo real: picos e vales revelam se o trabalho está distribuído ou se a equipe vive em correria de fim de prazo.
Top 10 tarefas com mais tempo
O ranking das tarefas que mais consumiram horas.
É onde aparecem as surpresas úteis. A tarefa que devia levar duas horas e consumiu quinze normalmente esconde algo: escopo mal definido, dependência externa travando, ou um retrabalho que ninguém registrou como tal.
Também alimenta a precificação. Depois de alguns meses, você sabe quanto custa de verdade produzir aquele tipo de entrega — e para de orçar pelo tempo que imagina que leva.
O que torna esses números confiáveis
Apontamento no dia, não na sexta. A tendência diária denuncia quando isso não acontece.
Adesão de toda a equipe — dado parcial leva a conclusão errada sobre distribuição de carga.
Tempo vinculado à tarefa certa, para que a leitura por projeto faça sentido.
Um cuidado de gestão que faz diferença na adesão: apresentar o registro de horas como ferramenta de precificação e de defesa do escopo, e não como controle de ponto. Equipe que enxerga vigilância aponta mal; equipe que entende o uso aponta com precisão.
Como se conecta ao resto
Controle de tempo — onde as horas são registradas.
Tarefas — o trabalho a que o tempo se vincula.
Relatórios financeiros — a lucratividade por cliente e projeto, que usa estas horas.
Relatório de tarefas — a dedicação por cliente em volume de trabalho.
Para onde ir depois
Controle de tempo — como registrar.
Relatórios financeiros — o R$ por hora de cada cliente.
Relatório de tarefas — a carga da equipe.
Resumindo: confira primeiro os membros ativos — se metade da equipe não aponta, o resto do relatório descreve só uma parte. Use horas por funcionário para gerir capacidade, nunca para avaliar desempenho, e horas por projeto cruzado com a lucratividade do financeiro para descobrir qual cliente consome mais do que paga. A tendência diária revela se o apontamento é medição ou memória, e o top 10 de tarefas mostra onde o escopo escapou.