Toda agência acha que sabe o que mais vende. Poucas sabem quanto costuma ceder para vender — e é esse segundo número que explica margem apertada com agenda cheia.
O Relatório de produtos vendidos mostra os dois. Abra em Relatórios › Produtos vendidos e escolha o período.
Os indicadores do topo
Produtos vendidos — quantos itens distintos do catálogo foram contratados.
Volume total — a quantidade contratada.
Receita praticada — líquida, já com os descontos aplicados.
Desconto concedido — o intervalo entre o preço de tabela e o que foi efetivamente cobrado.
O detalhamento por item
Uma linha por produto ou serviço, com tipo, em quantos projetos ele está contratado, a quantidade, a receita de tabela, a receita praticada e o desconto.
Receita de tabela × receita praticada
Este par é o motivo de o relatório existir.
A receita de tabela é o que os itens valeriam pelo preço do catálogo. A praticada é o que a agência realmente cobrou. A diferença entre as duas é o desconto — e vê-lo agregado por serviço revela padrões que passam despercebidos quando cada negociação é olhada isoladamente.
Descobrir que um serviço sai, em média, com 20% de desconto leva a duas conclusões possíveis, e as duas são acionáveis:
O preço de tabela está errado — se ninguém paga o valor cheio, ele não é o preço real. Melhor ajustar a tabela do que manter uma ficção que obriga a negociar sempre.
O desconto virou hábito comercial — quando conceder é mais rápido que defender valor, a margem escorre sem decisão consciente.
Sem esse número, o desconto se justifica caso a caso ("esse cliente é estratégico") e nunca é somado.
Quantos projetos contratam cada item
A coluna de projetos separa duas coisas que a receita sozinha mistura: o serviço que vende muito porque muitos clientes contratam e o que fatura alto porque um cliente contrata muito.
O segundo caso é risco concentrado. Um serviço com receita alta presente em um único projeto some inteiro se aquele cliente sair.
Produto ou serviço
A coluna de tipo permite separar receita recorrente de entrega pontual — e é o que diz se a agência tem base previsível ou vive de recomeçar todo mês.
Como usar
Ao revisar preços: olhe o desconto médio por item antes de reajustar. Item com desconto alto e constante já tem seu preço real definido pelo mercado.
Ao decidir foco: o serviço mais vendido merece mais capacidade e material comercial.
Ao avaliar risco: receita concentrada em poucos projetos pede diversificação.
Ao planejar equipe: o volume contratado indica onde a demanda vai bater.
Do que ele depende
O relatório lê os itens vinculados aos projetos. Só aparece aqui o que foi registrado como produto ou serviço contratado dentro do projeto — trabalho combinado por fora do catálogo não entra.
Vale lembrar que o preço registrado no projeto fica congelado no momento do vínculo, e é justamente isso que torna a comparação histórica confiável: o relatório do trimestre passado não muda quando você reajusta a tabela hoje.
Exportação
O relatório aceita recorte por período e pode ser exportado em PDF.
Como se conecta ao resto
Produtos e serviços — o catálogo e os vínculos com projetos.
Carteira por cliente — a outra leitura do mesmo dado, por cliente.
Projetos — onde os itens contratados são registrados.
Relatórios financeiros — a receita efetivamente recebida.
Para onde ir depois
Carteira por cliente — quem contrata o quê.
Produtos e serviços — a gestão do catálogo.
Relatórios financeiros — receita e lucratividade.
Resumindo: o par receita de tabela × receita praticada é o que este relatório tem de mais valioso — ele soma o desconto que, negociação a negociação, ninguém percebe. Use-o antes de reajustar preços, e leia a coluna de projetos para distinguir o serviço que muitos clientes contratam daquele que fatura alto por causa de um só, que é risco concentrado.