Lançar é trabalho; relatório é retorno. Aqui o que foi registrado vira as respostas que sustentam decisão — subir preço, demitir, recusar cliente, contratar.
Abra em Financeiro › Relatórios financeiros. São dez, e cada um responde uma pergunta diferente.
Receitas e despesas
Receitas, despesas e saldo no período, com o gráfico comparativo e a lista dos lançamentos considerados.
É o retrato mais básico e o primeiro a olhar. Se ele estiver errado, todo o resto está — e a causa costuma ser lançamento faltando, não erro de cálculo.
Fluxo de caixa
Entradas, saídas e saldo acumulado ao longo do período.
A palavra que importa é acumulado. Uma agência pode ter todos os meses positivos e ainda assim ficar sem dinheiro em março, porque a folga de janeiro foi consumida por uma despesa concentrada em fevereiro. O acumulado mostra o vale antes de você cair nele.
Contas a receber
O que há para receber — transações e faturas — distribuído por faixa de atraso: em dia, 1 a 30 dias, 31 a 60, 61 a 90 e mais de 90.
Essa distribuição é o termômetro da cobrança. Cada faixa pede uma ação diferente: 1 a 30 é lembrete; 31 a 60 é ligação; acima de 90 já não é atraso, é inadimplência — e a chance de receber cai a cada mês que passa.
Contas a pagar
O espelho do anterior, do lado das obrigações, também por faixa de atraso.
Olhar os dois juntos é o que evita o aperto: se o volume a pagar dos próximos 30 dias é maior que o a receber em dia, o problema aparece antes de virar emergência.
MRR
A receita recorrente mensal, por cliente e por assinatura, derivada dos lançamentos recorrentes de receita ativos — cada um normalizado para base mensal, de modo que um contrato trimestral entre pelo valor mensal equivalente.
É o número que separa agência com previsibilidade de agência que recomeça todo mês. Uma com R$ 40.000 de MRR sabe o piso do próximo mês; uma que fatura R$ 40.000 em projetos pontuais não sabe nada sobre o mês seguinte.
Uma ressalva de leitura: o MRR aqui é uma aproximação baseada nas recorrências cadastradas — não há um cadastro de assinaturas separado. Ele reflete fielmente o que está lançado como recorrente; contrato que existe mas não foi cadastrado com recorrência não aparece.
Receita prevista
A projeção, mês a mês, do que há em aberto para receber — incluindo as parcelas recorrentes futuras já geradas.
Um detalhe que dá confiança ao número: a projeção usa o saldo restante de cada lançamento, não o valor cheio. Uma fatura de R$ 6.000 com R$ 4.000 já pagos entra como R$ 2.000. É o que evita a dupla contagem que costuma inflar previsão feita em planilha.
Lucratividade por empresa
Por cliente: receita recebida, saldo a receber, horas apontadas e o R$ por hora resultante.
Este é o relatório que responde a pergunta mais desconfortável de uma agência: este cliente vale a pena? O cliente de R$ 3.000 que consome 60 horas por mês rende R$ 50 por hora; o de R$ 2.000 que consome 12 rende R$ 167. O maior contrato não é o melhor negócio — e sem esta tabela ninguém percebe isso.
Como o cálculo é receita dividida por horas, ele depende de a equipe apontar tempo. Sem apontamento, a coluna de horas fica vazia e o relatório vira só uma lista de receita.
Lucratividade por projeto
A mesma leitura no nível do projeto. Útil quando o mesmo cliente tem várias frentes: o projeto de social media pode ser saudável enquanto o de e-commerce consome o dobro das horas previstas.
Vale saber que a receita por projeto vem das faturas — que são o lançamento que carrega o vínculo com projeto. É mais um motivo para cobrar cliente por fatura de projeto, e não por transação avulsa: sem isso, a receita não chega até aqui.
Impostos
O que foi pago de imposto no período, com total, média mensal e a série por mês.
Ele se alimenta das despesas registradas na categoria Impostos — você lança cada guia como despesa nessa categoria e nomeia o imposto na descrição ("DAS Simples Nacional — Jun/26"). É uma visão gerencial do que saiu, não um cálculo de alíquota: o sistema não apura imposto, ele mostra o que você pagou.
Serve para o planejamento anual e para a conversa com a contabilidade, quando a carga tributária cresce mais rápido que o faturamento.
Centro de custo
Gastos por centro de custo contra o orçamento do período, com o cruzamento entre centro de custo e projeto.
É o relatório de disciplina: mostra onde estourou e onde sobrou. E o cruzamento com projeto responde algo que os outros não respondem — quanto de cada área foi consumido por qual cliente.
Período e exportação
Todos aceitam recorte por período e podem ser exportados em PDF. O PDF é o formato de levar à reunião de sócios ou à contabilidade; a tela é onde você investiga.
Uma rotina de leitura
Toda semana: contas a receber e contas a pagar — é operação, não análise.
Todo mês: receitas e despesas, fluxo de caixa e MRR.
Todo trimestre: lucratividade por empresa e por projeto, e centro de custo. São as decisões estruturais.
Ao planejar o ano: receita prevista e impostos.
O que faz os relatórios servirem
Todos dependem da qualidade do lançamento. Três hábitos sustentam a análise inteira:
Categoria sempre preenchida — sem ela, receitas e despesas viram um número só.
Cliente cobrado por fatura de projeto — é o que leva a receita até a lucratividade.
Horas apontadas — sem apontamento, não existe R$ por hora, e a pergunta "este cliente vale a pena?" fica sem resposta.
Como se conecta ao resto
Transações e faturas — a matéria-prima de tudo.
Controle de tempo — as horas dos relatórios de lucratividade.
Projetos e empresas — as dimensões de análise.
Centros de custo — o orçamento comparado ao realizado.
Para onde ir depois
Transações e faturas — onde o dado nasce.
Controle de tempo — o apontamento que viabiliza a lucratividade.
Fornecedores e centros de custo — a organização das saídas.
Resumindo: olhe contas a receber e a pagar toda semana, receitas e despesas, fluxo de caixa e MRR todo mês, e lucratividade por empresa e projeto a cada trimestre — é essa última que revela que o maior contrato costuma não ser o melhor negócio. O fluxo de caixa acumulado antecipa o aperto que meses isolados escondem, e a receita prevista usa o saldo restante para não inflar a projeção. Nada disso funciona sem categoria preenchida, cobrança por fatura de projeto e horas apontadas.