Toda NFS-e de Goiânia nasce de um RPS — o Recibo Provisório de Serviços. Na prática ele é uma faixa de números que a prefeitura autoriza para o seu CNPJ: cada nota emitida consome um número dessa faixa, e a prefeitura só converte o RPS em nota fiscal se aquele número estiver dentro de um bloco liberado para você.
Por isso a solicitação de RPS não é uma etapa do nosso sistema: ela acontece no site da prefeitura, e é feita antes da primeira emissão. Este artigo mostra os três movimentos, na ordem — preparar a empresa aqui, pedir o bloco lá, e voltar para dizer em que número a sua sequência começa.
1. Deixe a empresa pronta em Minha empresa
Vá em Configuração › Minha empresa. Parte dos campos já vem do seu cadastro; os vazios você preenche com os dados da empresa e clica em Salvar Dados.
Dois itens dessa tela merecem atenção:
- Logo da empresa — opcional. Serve só para sair na nota.
- Certificado Digital A1 — obrigatório. Sem ele não existe emissão. Envie o arquivo .pfx ou .p12, informe a senha quando o sistema pedir: ela é usada para validar o certificado na hora e depois descartada.
A seção do certificado fica bloqueada enquanto Município e UF não estiverem preenchidos e salvos. É proposital — o certificado é associado à empresa já cadastrada, então os dados vêm primeiro.
Os três campos de RPS ficam no fim dessa mesma tela. Deixe-os para depois de falar com a prefeitura: é lá que você descobre o número certo.
2. Peça o bloco de RPS no ISS Goiânia
Acesse o portal do ISS de Goiânia e faça login com o acesso da sua empresa (há um botão Acessar ISS Goiânia em Ajuda › Como usar, se você preferir sair daqui). Na página inicial:
- Entre em Solicitação de Documentos Fiscais.
- Escolha Solicitação e, na lista de documentos, Recibo Provisório de Serviços (RPS).
- Informe a quantidade e confirme.
A quantidade é sua escolha, e vale pedir com folga: cada solicitação libera um pacote, e quando ele acaba você precisa voltar ali e pedir de novo. Se a empresa emite umas 50 notas por mês, pedir 150 ou 500 evita ter que interromper o trabalho para pedir mais no meio do mês.
A liberação não é instantânea. A prefeitura costuma levar de 10 a 15 minutos. Enquanto o pedido não for atendido, você não consegue emitir. Depois desse tempo, use a opção Consultar do mesmo menu: solicitação atendida aparece como entregue; se algo deu errado, ali aparece o status e o motivo — e aí o caminho é falar com a prefeitura, não conosco.
3. Descubra em que número a sua sequência está
Este é o passo que mais gera nota recusada, e ele depende de um detalhe: se a sua empresa já emitiu notas por algum sistema fora do portal da prefeitura.
Cenário 1 — você nunca emitiu por outro sistema
Se você só emitia direto no site da prefeitura, ou nunca emitiu, a sua sequência começa do começo. Em Minha empresa, preencha Próximo Número RPS com 1 e Série RPS com 1. A primeira nota emitida por aqui sairá como RPS 1.
Cenário 2 — você já emitia por outro sistema
Aí existe uma sequência em andamento, e você precisa continuar de onde ela parou — nunca recomeçar do 1 nem pular para um número à frente. Ainda no portal da prefeitura, abra Documentos não declarados: ali aparecem as suas solicitações anteriores. Abra a solicitação e veja qual foi o último número sequencial utilizado.
Digamos que a sua empresa parou no 4. Então o Próximo Número RPS é 5 — não 1, porque o RPS 1 já foi usado, e não 6, porque a sequência ficaria com um buraco. Se essa tela não mostrar nada, é porque a sua situação é o Cenário 1.
4. Volte e salve a numeração
De volta a Minha empresa, preencha os três campos e salve:
- Próximo Número RPS — o número que a próxima nota vai usar (no exemplo acima, 5).
- Série RPS — a série usada na sua solicitação. Normalmente 1.
- Quantidade de RPS Solicitados — quantos você pediu à prefeitura (50, no exemplo). Este campo é de controle: é ele que te lembra de quanto saldo ainda resta antes de precisar solicitar de novo.
Você define o ponto de partida uma vez. Daí em diante a numeração anda sozinha: a cada nota autorizada o contador avança, e o formulário de emissão consulta esse contador antes de mandar a nota. Você só volta a mexer nesses campos se trocar de sistema outra vez, ou se a prefeitura mandar.
Quando a numeração está errada, a nota é recusada
Os erros mais comuns de quem pula este artigo aparecem no painel de erro da nota, em Emissão › Emitir NFS-e:
- E090 — Número do RPS inválido: o número está fora da faixa liberada. Ou o bloco ainda não foi entregue, ou a sequência começou no lugar errado.
- E010 — RPS já informado: esse número, série e tipo já foram usados. É o sintoma clássico de recomeçar do 1 quem já emitia.
- E093 — Série do RPS inválida: a série passa de 5 dígitos.
Nos três casos o conserto é o mesmo: rever a numeração aqui e, se for o caso, pedir um bloco novo na prefeitura.
Uma coisa que este artigo não faz
Ele não ensina a preencher a nota. Tributação, alíquota, código de serviço e retenções variam de empresa para empresa, e quem responde por essas escolhas é o seu contador. O que está aqui é o que é igual para todo mundo: sem bloco de RPS autorizado e sem a numeração certa, nenhuma nota sai — independente de como ela seria preenchida.
Para onde ir depois
- Emitir NFS-e — o que cada campo do formulário de emissão significa, e os campos novos do padrão nacional.
- Erros na emissão — o que a prefeitura quis dizer com cada código de recusa, e quais deles não adianta tentar de novo.
Resumindo: configure a empresa e envie o certificado A1 em Minha empresa, peça o bloco de RPS no ISS Goiânia e espere de 10 a 15 minutos pela liberação, descubra em Documentos não declarados onde a sua sequência parou, e volte para preencher Próximo Número RPS, Série RPS e Quantidade de RPS Solicitados — continuando a sequência, nunca reiniciando nem pulando.