Produtos e serviços: o catálogo do que a agência entrega

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Pergunte a um sócio de agência quanto a empresa fatura com gestão de tráfego e ele responde na hora. Pergunte quantos clientes contratam gestão de tráfego e não contratam social media — e a resposta vira "preciso olhar". Essa segunda pergunta é onde mora o crescimento mais barato que existe: vender mais para quem já é cliente.

O módulo de Produtos e serviços é o que torna essa pergunta respondível. Abra em Comercial › Produtos e serviços.

Vamos montar o catálogo de uma agência e acompanhar até o relatório, usando a Padaria Pão Quente como cliente de exemplo.

Onde este módulo é usado

Antes de qualquer coisa, o escopo — porque evita procurar o que não existe: este catálogo é usado nos projetos. Você cadastra o que a agência vende aqui e, dentro de cada projeto, registra quais desses itens aquele cliente contratou.

Ele não é o catálogo de propostas nem o de negociações do CRM. O CRM tem o próprio catálogo, voltado a montar oportunidades antes de fechar. Este aqui documenta o que já foi contratado e está em execução.

Cadastrando um item

  • Nome — "Gestão de tráfego pago".

  • Código — o identificador curto, tipo "TRF01". Ajuda quando o catálogo cresce e é campo de busca.

  • TipoServiço (trabalho continuado ou por escopo) ou Produto (entrega pontual).

  • Categoria — para agrupar o catálogo.

  • Cobrança — Cobrança única, Mensal, Trimestral ou Anual.

  • Preço padrão, Unidade (mês, peça, hora) e Prazo de entrega em dias.

  • Status e Descrição.

Dois campos que a tela explica e vale reforçar

Preço padrão vazio significa "a combinar" — e é diferente de zero, que significaria de graça. Deixe vazio o item que você sempre negocia caso a caso (uma consultoria sob medida, um projeto especial); o valor é definido na hora de vincular ao projeto.

Item inativo some do seletor, mas continua nos projetos em que já estava. É por isso que inativar é sempre melhor que excluir: o serviço que a agência parou de vender continua contando na história dos contratos antigos e nos relatórios do período em que existiu.

A distinção entre Produto e Serviço

Não é burocracia de cadastro — muda a leitura do negócio. Serviço é receita recorrente: entra todo mês e sustenta a operação. Produto é entrega pontual: engorda um mês e não se repete.

Uma agência com 80% da receita em produtos pontuais vive de recomeçar; a mesma receita em serviços recorrentes é um negócio previsível. O relatório mostra os dois separados justamente por isso.

Entregáveis

Cada item pode listar seus entregáveis — o que o cliente recebe —, com descrição e quantidade ("Relatório mensal de performance", "4/mês").

Um ponto que a própria tela deixa claro e evita expectativa errada: entregáveis são descritivos e não geram tarefas. Eles servem para deixar escrito o escopo do que foi contratado.

E isso resolve o atrito mais comum de agência: o cliente que pede "mais um post" achando que está incluso. Com os entregáveis registrados, a conversa deixa de ser memória contra memória — está escrito o que o pacote inclui, e o extra vira o que sempre foi: escopo adicional.

Vinculando ao projeto

É aqui que o catálogo vira informação útil. Dentro do projeto, na seção Produtos e serviços contratados, você adiciona os itens daquele contrato:

  • Item do catálogo — o que foi contratado.

  • Identificação — um rótulo livre, e o campo mais esperto da tela.

  • Qtd., Preço unit., Desconto e Cobrança.

A Identificação existe porque o mesmo item costuma ser contratado mais de uma vez no mesmo projeto com finalidades diferentes. A padaria contrata gestão de tráfego duas vezes: uma para "Google Ads" e outra para "Meta Ads". Sem o rótulo, ficariam duas linhas idênticas na tela e ninguém saberia qual é qual.

Cada item mostra também o que inclui — os entregáveis herdados do catálogo —, então quem abre o projeto vê o escopo sem precisar consultar o contrato.

O preço fica congelado

Esta é a regra mais importante do módulo: preço, desconto e ciclo de cobrança são copiados no momento do vínculo. Reajustar a tabela do catálogo depois não reescreve os projetos existentes.

É o comportamento correto, e vale entender o porquê. Se o reajuste propagasse, o relatório do trimestre passado mudaria sozinho quando você atualizasse os preços — e você perderia a capacidade de dizer quanto aquele cliente pagava naquele momento. Congelar preserva a história.

Na prática: quando a agência reajusta a tabela em janeiro, os contratos vigentes seguem no valor antigo até você atualizar cada um deliberadamente. É trabalho, mas é o trabalho que a renegociação exige de qualquer forma.

Total e visibilidade dos valores

No fim da seção aparece o Total dos itens, sinalizando quantos itens estão sem valor definido. E há uma proteção que costuma passar despercebida: os valores só aparecem para quem tem acesso ao financeiro. Quem trabalha no projeto sem essa permissão vê os itens contratados e os entregáveis — o escopo, que é o que importa para executar — mas não os preços.

É o que permite deixar a designer ver exatamente o que foi contratado sem expor a ela quanto o cliente paga.

A tela também avisa quando a lista fica longa demais, e há um teto de itens por projeto — não por limitação técnica, mas porque lista gigante deixa de ser lida.

Os dois relatórios

É aqui que o cadastro paga o investimento.

Produtos e serviços vendidos

Uma linha por item, com quantos projetos o contratam, a quantidade, a receita de tabela, a receita praticada e o desconto concedido.

O par receita de tabela × receita praticada é o número mais desconfortável e mais útil do módulo: ele mostra o quanto a agência costuma ceder. Descobrir que um serviço sai em média com 22% de desconto significa que o preço de tabela está errado — ou que o time comercial está usando desconto como atalho para fechar.

Composição de carteira por cliente

Duas visões: carteira por cliente (o que cada empresa contrata, quantos serviços e quanta receita) e adoção por serviço, marcada na tela como cross-sell — quantas empresas contratam cada item.

Esta é a resposta para a pergunta da abertura. Se 12 clientes contratam tráfego e só 4 contratam social media, existem 8 conversas de expansão esperando — com quem já confia na agência, já paga em dia e não precisa ser prospectado.

Cliente com um único serviço contratado também é um alerta: é o mais fácil de perder, porque a relação depende de uma entrega só.

Ambos os relatórios aceitam recorte por período e podem ser exportados em PDF. E seguem a mesma regra de visibilidade: quem não tem acesso ao financeiro vê o volume — projetos e quantidades — sem os valores.

Como manter o catálogo útil

  1. Poucos itens bem definidos. Catálogo com sessenta variações ninguém usa; a equipe desiste e digita à mão.

  2. Entregáveis preenchidos. É o que transforma o item numa definição de escopo em vez de um nome solto.

  3. Inative em vez de excluir. Serviço descontinuado sustenta a leitura do histórico.

  4. Revise os vínculos ao renegociar. É o momento natural de atualizar o preço congelado.

Como se conecta ao resto

  • Projetos — onde os itens contratados são registrados. É o único lugar em que o catálogo é consumido.

  • Relatórios — vendas e composição de carteira.

  • Funcionários — a permissão do módulo e a de financeiro, que controla a exibição dos valores.

Para onde ir depois

  • Projetos — onde vincular o que foi contratado.

  • Relatórios — a leitura de vendas e carteira.

  • CRM — o outro catálogo, o das negociações em aberto.


Resumindo: cadastre o que a agência vende separando serviço recorrente de produto pontual, deixe o preço vazio no que é sempre negociado e registre os entregáveis — é o que encerra a discussão de escopo com o cliente. Vincule os itens dentro de cada projeto usando o campo de identificação quando o mesmo serviço aparecer duas vezes, lembrando que o preço fica congelado ali e reajuste de tabela não retroage. Depois use os dois relatórios: um mostra quanto a agência cede em desconto, o outro mostra quais clientes ainda não contratam o que você já vende para outros.

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